Texto publicado no jornal Tribuna dos Lagos, Dois Vizinhos, Paraná.
Até parece mais uma brincadeira de Carnaval – uma grande folia de Carnaval. Mas infelizmente não o é.
Nesta sexta-feira 26 de fevereiro fui viajar à trabalho para Santa Catarina e quando passava pela região de Clevelândia durante o meu deslocamento de Pato Branco à Palmas, percebi diversas barracas, às margens desta rodovia, vendendo algo em sacolas plásticas azuis – todas iguais, dezenas de barracas, com dezenas de sacolas.
Imediatamente, me ocorreu: o que estarão vendendo? Parecia com Pinhões, contudo pensei:...estamos em Fevereiro, e o período de Pinhões é a partir de Maio (abril para os que não esperam a pinha amadurecer de forma adequada). Segui minha viagem com esta inquietação, pois tinha horário a cumprir.
Em meu retorno a Dois Vizinhos neste sábado, passando por aquela mesma rodovia, novamente ali estavam as barracas vendendo suas sacolas azuis. Então, decidi parar e averiguar do que se tratava e para o meu espanto, realmente eram Pinhões – Sementes da Araucária (Pinheiro do Paraná). Pinhas bem maduras e Pinhões bem formados.
Permiti brincar e indagar à vendedora, se não era muito cedo para vender os pinhões e se isso não prejudicaria a preservação da natureza e ao reflorestamento da Araucária, em sua forma simples, ela me falou que eles estavam vendendo as pinhas que estavam caídas ao chão. Sem o objetivo de questionar sua resposta segui minha viagem.
Como sempre faço, utilizo minhas horas a frente do volante para – alem de prestar atenção à estrada – pensar sobre os assuntos de minha profissão. E cheguei a seguinte conclusão: se eu tinha duvidas sobre as alterações climáticas e sobre todas as mudanças que isto determinará no equilíbrio do meio ambiente, agora já não as tenho.
Independente de Protocolo de Quioto (um grande fracasso para a preservação ambiental), independente das variações de temperatura que estamos experimentando, nosso planeta e nossa natureza, encontram-se em um processo de mudanças profundas, com novas condições e adaptando-se a estas novas realidades climáticas.
Tais mudanças trarão consequências ambientais, sociais e principalmente econômicas catastróficas.
Para as questões ambientais, por exemplo, podemos através de este exemplo ver a força/poder da natureza em se adaptar; para as questões sociais, haverá mudanças nas culturas, tradições e ciclos produtivos do homem do campo; e nas questões econômicas, tais alterações ambientais determinarão perdas e alterações nos processos produtivos agrícolas que causaram perdas significativas e declínio do Lucro final.
Como isso ocorrerá: o pinhão serve de alimento para vários pássaros e animais, que alem de alimentar-se, alimentam também a sua prole, contudo se não há pinhão, estes pássaros e animais terão sua sobrevivência prejudicada ou mesmo comprometida. Sem estas aves e animais (inimigos naturais dos insetos), responsáveis, em outros períodos pelo controle da proliferação de insetos (lagartas), estes últimos se disseminarão de forma livre e em escalas nunca vistas, aumentando então as pragas que sem seus inimigos naturais, estarão livres para atacar as culturas agrícolas.
Para controlas estas possíveis pragas, o agricultor deverá aumentar a quantidade de insumos químicos (defensivos agrícolas), aumentando a quantidade de “veneno” ao nosso cardápio. Aumentando a quantidade destes químicos, algumas pragas e insetos (de acordo com a Lei da Natureza) adquirirão maior resistência aos produtos químicos, além de que muitas aves e animais intolerantes a estes produtos químicos poderão sofrer contaminação e morrer, diminuindo ainda mais os inimigos naturais destes insetos e pragas.
Este é um ciclo produtivo e de desequilíbrio ambiental e econômico, que o homem exploratório, ainda não desenvolveu consciência, ainda não compreendeu e que continua pagando por isso.
Como poderemos reverter este processo? Talvez ainda possamos, mas para isso precisamos não de novas Leis, mas precisamos fazer as Leis acontecerem, precisamos de profissionais da área ambiental, atuando em todas as unidades poluidoras, precisamos de engenheiros ambientais que ajudem a combater e diminuir as fontes de emissões de poluentes químicos, precisamos de um sistema de governo atuante, precisamos de mais agentes dos Órgãos Ambientais atuando e controlando esta exploração imprópria, precisamos de empresários conscientes, precisamos de produtores que preservem as nascentes, as margens dos rios e outras reservas florestais, pois nelas habitam os agentes controladores das pragas, já que elas servem também de filtros para o controle da poluição, tanto aérea (sequestro de carbono), quanto superficial terrestre (retenção do escoamento de águas e sólidos superficiais).
Pinhões em Fevereiro, sem duvida esta é a maior FOLIA que o Carnaval nos reservou, a maior FOLIA que prova a ação destruidora do HOMEM sobre o meio ambiente e suas próprias vidas. Até quando seguiremos nesta mesma “marchinha”?
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
INTENSIFICAÇÃO INDUSTRIAL E AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS 21/02/2010
Texto publicado no jornal Tribuna dos Lagos de Dois Vizinhos Paraná.
As atuais mudanças climáticas que estamos percebendo, podem ser uma consequência natural, porém novas causas são apontadas para que haja variações no clima e a intensificação destes mudanças em tão curto espaço de tempo. A industrialização acentuada é um fator determinante para as mudanças, onde diversas formas de poluentes são emitidas dos mais diversos processos da indústria e das atividades antrópicas (humanas).
Estas mudanças climáticas estão sendo relacionadas à diversos fatores, um deles é o efeito-estufa, ou seja, o aumento da temperatura causado pela retenção da radiação térmica na atmosfera, lembrando que este é um fenômeno natural e que graças a ele existe vida na Terra – o efeito estufa tem sido responsável por manter as temperaturas na superfície da Terra próximas a 15ºC em média global. Porém nos dias atuais suas proporções estão sofrendo alterações que vem provocando um desconforto global. Podemos citar 3 causas principais para a intensificação do efeito-estufa: a industrialização, o intensificação do uso da terra e seus desmatamentos e o aumento do uso de combustíveis fósseis para o transporte mundial (terrestre, marítimo e aéreo), provocando emissões de diversos gases provenientes da queima destes combustíveis fósseis e a da moderna química industrial (urbana e rural – produtos agroquímicos a base de Nitrogênio).
Outro agente relacionado às mudanças climáticas é a destruição da camada de ozônio, atribuída a gases como o Cloro, Flúor e Carbono (CFCs), estes emitidos para a atmosfera por equipamentos para a refrigeração considerados antigos, e que vem sendo substituídos através dos novos avanços tecnológicos que permite a industrialização de produtos isentos destes gases CFCs.
A industrialização é o resultado da evolução da sociedade moderna, onde cada vez mais ocorre à necessidade de bens de consumo, bens duráveis e não-duráveis, bens de capital e a indústria base, demonstrando a mudança no comportamento humano e o quanto a uma população extremamente consumista e capitalista vem estabelecendo seus padrões de vida em função deste consumo exacerbado.
Outro fator que provoca mudanças climáticas locais é a concentração de indústria em pequenos espaços, gerando os pontos de alta temperatura urbana. Tal efeito é determinado por políticas públicas que consideram somente aspectos produtivos e econômicos, oferecendo vantagens para a instalação destas áreas industrias de alto impacto ambiental e social.
Nesse processo políticos descomprometidos com a qualidade de vida, sua sustentabilidade e preservação dos valores ambientais, desenvolvem instrumentos políticos que favorecem a obtenção de matéria-prima abundante (de forma a promover a degradação total do meio ambiente), mão de obra barata (sem que haja um programa de valorização e capacitação dos recursos humanos empregados), energia, infra-estrutura, vias de transporte e comunicações praticamente isentas de encargos e tributos sociais, através dos incentivos fiscais e tributários.
De fato estas ações favorecem o desenvolvimento econômico regional – não somos contra a estas ações – contudo não se pode aceitar o descaso ao meio ambiente, não se pode aceitar que tais atividades sejam estabelecidas e desenvolvidas sem critérios ambientais técnicos corretos e de baixo impacto, promovendo a sustentabilidade dos recursos naturais, qualidade de vida e bem-estar humano e também da biodiversidade local.
Estas variações, que estamos percebendo, quanto à temperatura (vivemos o verão mais quente dos últimos 50 anos), precipitação, nebulosidade e outros fenômenos climáticos, têm provocado diversos perdas produtivas, sociais e ambientais; estragos em escala global, tais como, enchentes, tempestades, tornados, chuva de granizo, secas, entre outros. Estes desastres, provocam grandes prejuízos a economia mundial, além da perda de inúmeras vidas (só na grande São Paulo foram registradas mais de 170 mortes em janeiro deste ano).
É preciso tomarmos atitudes, manifestarmos nossas opiniões, lutarmos por ações e decisões políticas mais sérias, com políticos que realmente se comprometam com a continuidade da vida, não de maneira simplista, mas sim assegurando toda a sua complexidade econômica/ambiental e social.
Promover a formação e capacitação humana, como por exemplo, através de cursos técnicos e universitários que atendam a estas novas demandas e possam orientar a decisão política e industrial, com métodos mais adequados às diversas atividades humanas, buscando adequar os processos, principalmente a industrialização, com suas emissões de gases, resíduos sólidos líquidos e a correta utilização e destinação da matéria-prima, deve ser tema principal na pauta dos governantes locais e mundiais.
Neste ano teremos a possibilidade de eleger novos governantes para o Brasil, inclusive o Presidente. Devemos ter muito cuidado, seriedade e responsabilidade na escolha do nosso candidato, pois é fundamental que exijamos destes candidatos e futuros coordenadores de nossa vida publica e comum, o conhecimento, o comprometimento e as ações efetivas para a reversão do atual cenário de degradação ambiental e destruição da vida humana no Brasil e no mundo e não somente para benefícios próprios e obscuros.
Este artigo foi elaborado pelo acadêmico Thiago Luan Alberton, do 9º Período do curso de Engenharia Ambiental, sob a orientação e revisão final do Prof. da Unisep e Eng. Florestal Marcelo Langer. Envie sua opinião para malanger04@yahoo.es
As atuais mudanças climáticas que estamos percebendo, podem ser uma consequência natural, porém novas causas são apontadas para que haja variações no clima e a intensificação destes mudanças em tão curto espaço de tempo. A industrialização acentuada é um fator determinante para as mudanças, onde diversas formas de poluentes são emitidas dos mais diversos processos da indústria e das atividades antrópicas (humanas).
Estas mudanças climáticas estão sendo relacionadas à diversos fatores, um deles é o efeito-estufa, ou seja, o aumento da temperatura causado pela retenção da radiação térmica na atmosfera, lembrando que este é um fenômeno natural e que graças a ele existe vida na Terra – o efeito estufa tem sido responsável por manter as temperaturas na superfície da Terra próximas a 15ºC em média global. Porém nos dias atuais suas proporções estão sofrendo alterações que vem provocando um desconforto global. Podemos citar 3 causas principais para a intensificação do efeito-estufa: a industrialização, o intensificação do uso da terra e seus desmatamentos e o aumento do uso de combustíveis fósseis para o transporte mundial (terrestre, marítimo e aéreo), provocando emissões de diversos gases provenientes da queima destes combustíveis fósseis e a da moderna química industrial (urbana e rural – produtos agroquímicos a base de Nitrogênio).
Outro agente relacionado às mudanças climáticas é a destruição da camada de ozônio, atribuída a gases como o Cloro, Flúor e Carbono (CFCs), estes emitidos para a atmosfera por equipamentos para a refrigeração considerados antigos, e que vem sendo substituídos através dos novos avanços tecnológicos que permite a industrialização de produtos isentos destes gases CFCs.
A industrialização é o resultado da evolução da sociedade moderna, onde cada vez mais ocorre à necessidade de bens de consumo, bens duráveis e não-duráveis, bens de capital e a indústria base, demonstrando a mudança no comportamento humano e o quanto a uma população extremamente consumista e capitalista vem estabelecendo seus padrões de vida em função deste consumo exacerbado.
Outro fator que provoca mudanças climáticas locais é a concentração de indústria em pequenos espaços, gerando os pontos de alta temperatura urbana. Tal efeito é determinado por políticas públicas que consideram somente aspectos produtivos e econômicos, oferecendo vantagens para a instalação destas áreas industrias de alto impacto ambiental e social.
Nesse processo políticos descomprometidos com a qualidade de vida, sua sustentabilidade e preservação dos valores ambientais, desenvolvem instrumentos políticos que favorecem a obtenção de matéria-prima abundante (de forma a promover a degradação total do meio ambiente), mão de obra barata (sem que haja um programa de valorização e capacitação dos recursos humanos empregados), energia, infra-estrutura, vias de transporte e comunicações praticamente isentas de encargos e tributos sociais, através dos incentivos fiscais e tributários.
De fato estas ações favorecem o desenvolvimento econômico regional – não somos contra a estas ações – contudo não se pode aceitar o descaso ao meio ambiente, não se pode aceitar que tais atividades sejam estabelecidas e desenvolvidas sem critérios ambientais técnicos corretos e de baixo impacto, promovendo a sustentabilidade dos recursos naturais, qualidade de vida e bem-estar humano e também da biodiversidade local.
Estas variações, que estamos percebendo, quanto à temperatura (vivemos o verão mais quente dos últimos 50 anos), precipitação, nebulosidade e outros fenômenos climáticos, têm provocado diversos perdas produtivas, sociais e ambientais; estragos em escala global, tais como, enchentes, tempestades, tornados, chuva de granizo, secas, entre outros. Estes desastres, provocam grandes prejuízos a economia mundial, além da perda de inúmeras vidas (só na grande São Paulo foram registradas mais de 170 mortes em janeiro deste ano).
É preciso tomarmos atitudes, manifestarmos nossas opiniões, lutarmos por ações e decisões políticas mais sérias, com políticos que realmente se comprometam com a continuidade da vida, não de maneira simplista, mas sim assegurando toda a sua complexidade econômica/ambiental e social.
Promover a formação e capacitação humana, como por exemplo, através de cursos técnicos e universitários que atendam a estas novas demandas e possam orientar a decisão política e industrial, com métodos mais adequados às diversas atividades humanas, buscando adequar os processos, principalmente a industrialização, com suas emissões de gases, resíduos sólidos líquidos e a correta utilização e destinação da matéria-prima, deve ser tema principal na pauta dos governantes locais e mundiais.
Neste ano teremos a possibilidade de eleger novos governantes para o Brasil, inclusive o Presidente. Devemos ter muito cuidado, seriedade e responsabilidade na escolha do nosso candidato, pois é fundamental que exijamos destes candidatos e futuros coordenadores de nossa vida publica e comum, o conhecimento, o comprometimento e as ações efetivas para a reversão do atual cenário de degradação ambiental e destruição da vida humana no Brasil e no mundo e não somente para benefícios próprios e obscuros.
Este artigo foi elaborado pelo acadêmico Thiago Luan Alberton, do 9º Período do curso de Engenharia Ambiental, sob a orientação e revisão final do Prof. da Unisep e Eng. Florestal Marcelo Langer. Envie sua opinião para malanger04@yahoo.es
Recursos Florestais e Meio Ambiente 07/02/2010
Texto publicado no Jornal Tribuna dos Lagos de Dois Vizinhos Paraná.
Nos meus quase 20 anos de profissional florestal e ambiental, venho acompanhando as mesmas discussões e dúvidas sobre a gestão dos recursos ambientais. Especificamente nos últimos anos, tenho acompanhado discussões mais intensas sobre o Código Florestal – deve ser modificado ou não? Deve atender as demandas do Grupo da bancada Ruralista ou deve continuar e aprofundar pontos sustentados pelo Grupo da bancada ambientalista?
O Código Florestal, Lei máxima na gestão dos recursos naturais rurais, estabelecido como Lei Nº 4771 de 1965, tem vigorado até a presente data, com algumas pequenas alterações e também com a criação de algumas outras disposições legais ambientais, como por exemplo o CONAMA, Conselho Nacional do Meio Ambiente, que é o órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, instituído pela Lei 6.938/81 e que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, regulamentada pelo Decreto 99.274/90.
Baseado nestes dois dispositivos legais, a gestão das terras naturais vem sendo efetuada no Brasil. Contudo estas Leis também tem determinado os grandes problemas de gestão florestal, rural e ambiental que experienciamos.
Como podemos ver o Código Florestal data de 1965 e o CONAMA de 1981, muito tempo após a grande expansão rural no sul e outras regiões do Brasil. E pensando que o conhecimento e compreensão efetiva destas Leis só começou a acontecer após 1990 mas que até hoje não são completas, os danos e os níveis de degradação hoje percebidos datam daquele período e se nada for efetivamente realizado, continuarão.
Muitos dos problemas atuais estão sendo tratados, estamos buscando resoluções que possam minimizar os impactos ocasionados por este uso indevido do solo e dos recursos naturais. Aqui no Paraná, através do mecanismo de gerenciamento governamental denominado SISLEG (Sistema de manutenção, recuperação e proteção da Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente) tem se tentado contornar esta situação, na esperança de regularizar as propriedades rurais, diminuir os níveis de degradação ambiental e promover a sustentabilidade produtiva destas terras, bem como a manutenção da Biodiversidade local.
Entretanto, é preciso compreender o problema de maneira clara e para mim, o grande problema que hoje se enfrenta é a confusão de conceitos entre recursos florestais e recursos naturais e todas as interrelações por eles decorridas.
Fazemos grande confusão quando pensamos em recursos naturais, recursos ambientais e visualizamos a floresta (plantadas ou naturais) intocada. Florestas ou recursos florestais são somente um dos recursos naturais disponíveis, nele encontramos diversos outros recursos e é bem verdade que estes outros recursos quando encontrados no interior de uma floresta estão melhor preservados, todavia uma floresta envelhece e precisa ser tratada (manejada).
É necessário ver a floresta como um recurso produtivo, como acontece com a agropecuária, as industrias e outros setores produtivos nacionais, que dependem intrinsecamente dos recursos naturais para o seu desenvolvimento, sua manutenção e a sustentabilidade de suas atividades.
Para se falar em recursos florestais, devemos iniciar a perceber que as florestas são recursos, alem de ser natural, é um recurso produtivo, e que do bom manejo (bom gerenciamento deles) depende a sua sustentabilidade e a de outros recursos. Porem, isso não significa o engessamento deste recurso, pois uma floresta cresce, torna-se adulta e consequentemente envelhece (deixando de produzir qualidade ambiental, e somente conseguirá manter sua qualidade e a preservação de seus recursos, se e somente se, for manejada com sabedoria, por conhecedores, com respeito as suas capacidades produtivas e limites de sustentabilidade e a isso chama-se de Manejo Sustentável – onde o uso presente não afetará a capacidade produtiva futura desta floresta, seja ela como recurso direto ou como mantenedora de diversos outros recursos.
Para a gestão florestal, devemos entender-la como recurso em suas várias definições e isso é totalmente distinto da gestão ambiental. Acredito que somente começaremos a perceber progressos, quando realmente entendermos esta diferença.
Não devemos dizer “não” nem aos ruralistas e nem aos ambientalistas, devemos sim desenvolver conhecimento, amparados num avanço e disponibilidade tecnológica muito diferente de 1965, e através de pesquisa, políticas sérias e conhecimento, poderemos chegar a novas definições de sustentabilidade, que de acordo com o seu conceito aceito mundialmente, esta sustentabilidade deverá garantir o meio ambiente, a sociedade e a economia.
Nos meus quase 20 anos de profissional florestal e ambiental, venho acompanhando as mesmas discussões e dúvidas sobre a gestão dos recursos ambientais. Especificamente nos últimos anos, tenho acompanhado discussões mais intensas sobre o Código Florestal – deve ser modificado ou não? Deve atender as demandas do Grupo da bancada Ruralista ou deve continuar e aprofundar pontos sustentados pelo Grupo da bancada ambientalista?
O Código Florestal, Lei máxima na gestão dos recursos naturais rurais, estabelecido como Lei Nº 4771 de 1965, tem vigorado até a presente data, com algumas pequenas alterações e também com a criação de algumas outras disposições legais ambientais, como por exemplo o CONAMA, Conselho Nacional do Meio Ambiente, que é o órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, instituído pela Lei 6.938/81 e que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, regulamentada pelo Decreto 99.274/90.
Baseado nestes dois dispositivos legais, a gestão das terras naturais vem sendo efetuada no Brasil. Contudo estas Leis também tem determinado os grandes problemas de gestão florestal, rural e ambiental que experienciamos.
Como podemos ver o Código Florestal data de 1965 e o CONAMA de 1981, muito tempo após a grande expansão rural no sul e outras regiões do Brasil. E pensando que o conhecimento e compreensão efetiva destas Leis só começou a acontecer após 1990 mas que até hoje não são completas, os danos e os níveis de degradação hoje percebidos datam daquele período e se nada for efetivamente realizado, continuarão.
Muitos dos problemas atuais estão sendo tratados, estamos buscando resoluções que possam minimizar os impactos ocasionados por este uso indevido do solo e dos recursos naturais. Aqui no Paraná, através do mecanismo de gerenciamento governamental denominado SISLEG (Sistema de manutenção, recuperação e proteção da Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente) tem se tentado contornar esta situação, na esperança de regularizar as propriedades rurais, diminuir os níveis de degradação ambiental e promover a sustentabilidade produtiva destas terras, bem como a manutenção da Biodiversidade local.
Entretanto, é preciso compreender o problema de maneira clara e para mim, o grande problema que hoje se enfrenta é a confusão de conceitos entre recursos florestais e recursos naturais e todas as interrelações por eles decorridas.
Fazemos grande confusão quando pensamos em recursos naturais, recursos ambientais e visualizamos a floresta (plantadas ou naturais) intocada. Florestas ou recursos florestais são somente um dos recursos naturais disponíveis, nele encontramos diversos outros recursos e é bem verdade que estes outros recursos quando encontrados no interior de uma floresta estão melhor preservados, todavia uma floresta envelhece e precisa ser tratada (manejada).
É necessário ver a floresta como um recurso produtivo, como acontece com a agropecuária, as industrias e outros setores produtivos nacionais, que dependem intrinsecamente dos recursos naturais para o seu desenvolvimento, sua manutenção e a sustentabilidade de suas atividades.
Para se falar em recursos florestais, devemos iniciar a perceber que as florestas são recursos, alem de ser natural, é um recurso produtivo, e que do bom manejo (bom gerenciamento deles) depende a sua sustentabilidade e a de outros recursos. Porem, isso não significa o engessamento deste recurso, pois uma floresta cresce, torna-se adulta e consequentemente envelhece (deixando de produzir qualidade ambiental, e somente conseguirá manter sua qualidade e a preservação de seus recursos, se e somente se, for manejada com sabedoria, por conhecedores, com respeito as suas capacidades produtivas e limites de sustentabilidade e a isso chama-se de Manejo Sustentável – onde o uso presente não afetará a capacidade produtiva futura desta floresta, seja ela como recurso direto ou como mantenedora de diversos outros recursos.
Para a gestão florestal, devemos entender-la como recurso em suas várias definições e isso é totalmente distinto da gestão ambiental. Acredito que somente começaremos a perceber progressos, quando realmente entendermos esta diferença.
Não devemos dizer “não” nem aos ruralistas e nem aos ambientalistas, devemos sim desenvolver conhecimento, amparados num avanço e disponibilidade tecnológica muito diferente de 1965, e através de pesquisa, políticas sérias e conhecimento, poderemos chegar a novas definições de sustentabilidade, que de acordo com o seu conceito aceito mundialmente, esta sustentabilidade deverá garantir o meio ambiente, a sociedade e a economia.
Maioridade Ambiental 24/01/2010
Texto publicado no Jornal Tribuna dos Lagos de Dois Vizinhos Paraná.
Antes de darmos continuidade ao material publicado por este jornal em dezembro de 2009, e com o objetivo único de contribuir para a melhoria ambiental do Planeta – começando por Dois Vizinhos e região, vamos tratar e esclarecer alguns pontos e acontecimentos que nos fizeram chegar ao atual status ambiental e político-ambiental em que estamos.
Considerando o marco mundial que aconteceu aqui no Brasil em 1992, a famosa reunião RIO/ECO – 92 estamos então entrando no ano de sua maioridade. E assim, podemos, agora, analisar onde chegamos ou o quanto evoluímos.
Durante esta reunião, foram assinaladas 3 iniciativas principais para orientar, gerir, controlar e reverter a situação ambiental mundial, sendo elas: mudanças climáticas; atestado de origem da matéria-prima; e por ultimo sustentabilidade socioambiental.
Para as questões relativas às mudanças climáticas, foi lançado o Comitê Intergovernamental de Negociações para a Convenção-Quadro sobre Mudanças do Clima (INC/FCCC) que elaborou a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCCC), aberta às assinaturas de todos os chefes de Estado presentes a ECO/92, no Rio de Janeiro.
Já para as questões pertinentes a sustentabilidade geral publica de municípios e demais áreas comuns, ou que afetam a população em geral, foi iniciado o processo que resultou na Agenda 21. Documento que orienta aos gestores e organizações na elaboração e formatação de políticas e ações publicas e coletivas para a melhor gestão ambiental. Este documento vem sendo aplicado no mundo todo e tem determinado grandes avanços socioambientais aos municípios onde foram desenvolvidas.
E por ultimo, a RIO/92 estabeleceu a necessidade de desenvolvimento de um programa mundial para o controle de origem de produtos, por exemplo, visto o estagio de degradação ambiental mundial, a destruição de matas e reservas nativas, o uso de mão-de-obra infantil, existência de sistemas de trabalho em regime de escravidão parcial ou total, dentre outros problemas detectados e que ainda hoje, 18 anos após, continuam vigorando.
Para este ultimo item, foram estabelecidos os programas de certificação, como por exemplo: ISO série 9000, FSC entre outros, que buscam estabelecer princípios e critérios para a gestão dos recursos naturais e dos processos produtivos gerais.
Então, como mencionamos no inicio, estamos no ano da maioridade da RIO/92 e apesar de muitos avanços políticos e legais alcançados, objetiva e na pratica ainda poucos avanços foram percebidos. Por exemplo, continuamos com muitos problemas ambientais, ainda não temos gestão ambiental nos municípios que funcione efetivamente, o Protocolo de Kyoto ainda esbarra nas questões políticas e econômicas, a Agenda 21, apesar de seus inúmeros e incontestáveis benefícios, tem sido desenvolvida por poucos municípios brasileiros, e a certificação ainda gera muita desconfiança e apresenta muitos impedimentos econômicos e financeiros – principalmente pela falta de esclarecimento dos empresários, que ainda não perceberam os ganhos que por sua aplicação podem ser obtidos, tanto para a imagem de sua empresa e produtos como também os benefícios econômicos.
O que podemos ter como compreensão para este momento, é que as questões ambientais precisam ser tratadas com maior seriedade e objetividade, pois mesmo sabendo que a sua gestão pode gerar ganhos econômicos indiscutíveis, existe a necessidade urgente de tratar as questões ambientais e os recursos naturais em suas formas diretas e não como apenas possibilidades de ganhos futuros ou melhorias econômicas e financeiras.
Trataremos destes pontos cuidadosamente nas próximas edições e para isso gostaríamos de convidar-los a contribuir e participar da elaboração e formação desta coluna, caso vocês tenham algum assunto específico que gostariam de que tratássemos e/ou alguma informação para nos apresentar. Por favor, enviem suas sugestões para malanger04@yahoo.es
Abraços a todos e ate o próximo.
Marcelo Langer, Professor de Engenharia Ambiental da UNISEP, Mestre em Ciências Florestais pela USP, especialista em Gestão do Conhecimento pela FIA/USP e em Sustentabilidade pela Universidade de Freiburg da Alemanha.
Antes de darmos continuidade ao material publicado por este jornal em dezembro de 2009, e com o objetivo único de contribuir para a melhoria ambiental do Planeta – começando por Dois Vizinhos e região, vamos tratar e esclarecer alguns pontos e acontecimentos que nos fizeram chegar ao atual status ambiental e político-ambiental em que estamos.
Considerando o marco mundial que aconteceu aqui no Brasil em 1992, a famosa reunião RIO/ECO – 92 estamos então entrando no ano de sua maioridade. E assim, podemos, agora, analisar onde chegamos ou o quanto evoluímos.
Durante esta reunião, foram assinaladas 3 iniciativas principais para orientar, gerir, controlar e reverter a situação ambiental mundial, sendo elas: mudanças climáticas; atestado de origem da matéria-prima; e por ultimo sustentabilidade socioambiental.
Para as questões relativas às mudanças climáticas, foi lançado o Comitê Intergovernamental de Negociações para a Convenção-Quadro sobre Mudanças do Clima (INC/FCCC) que elaborou a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCCC), aberta às assinaturas de todos os chefes de Estado presentes a ECO/92, no Rio de Janeiro.
Já para as questões pertinentes a sustentabilidade geral publica de municípios e demais áreas comuns, ou que afetam a população em geral, foi iniciado o processo que resultou na Agenda 21. Documento que orienta aos gestores e organizações na elaboração e formatação de políticas e ações publicas e coletivas para a melhor gestão ambiental. Este documento vem sendo aplicado no mundo todo e tem determinado grandes avanços socioambientais aos municípios onde foram desenvolvidas.
E por ultimo, a RIO/92 estabeleceu a necessidade de desenvolvimento de um programa mundial para o controle de origem de produtos, por exemplo, visto o estagio de degradação ambiental mundial, a destruição de matas e reservas nativas, o uso de mão-de-obra infantil, existência de sistemas de trabalho em regime de escravidão parcial ou total, dentre outros problemas detectados e que ainda hoje, 18 anos após, continuam vigorando.
Para este ultimo item, foram estabelecidos os programas de certificação, como por exemplo: ISO série 9000, FSC entre outros, que buscam estabelecer princípios e critérios para a gestão dos recursos naturais e dos processos produtivos gerais.
Então, como mencionamos no inicio, estamos no ano da maioridade da RIO/92 e apesar de muitos avanços políticos e legais alcançados, objetiva e na pratica ainda poucos avanços foram percebidos. Por exemplo, continuamos com muitos problemas ambientais, ainda não temos gestão ambiental nos municípios que funcione efetivamente, o Protocolo de Kyoto ainda esbarra nas questões políticas e econômicas, a Agenda 21, apesar de seus inúmeros e incontestáveis benefícios, tem sido desenvolvida por poucos municípios brasileiros, e a certificação ainda gera muita desconfiança e apresenta muitos impedimentos econômicos e financeiros – principalmente pela falta de esclarecimento dos empresários, que ainda não perceberam os ganhos que por sua aplicação podem ser obtidos, tanto para a imagem de sua empresa e produtos como também os benefícios econômicos.
O que podemos ter como compreensão para este momento, é que as questões ambientais precisam ser tratadas com maior seriedade e objetividade, pois mesmo sabendo que a sua gestão pode gerar ganhos econômicos indiscutíveis, existe a necessidade urgente de tratar as questões ambientais e os recursos naturais em suas formas diretas e não como apenas possibilidades de ganhos futuros ou melhorias econômicas e financeiras.
Trataremos destes pontos cuidadosamente nas próximas edições e para isso gostaríamos de convidar-los a contribuir e participar da elaboração e formação desta coluna, caso vocês tenham algum assunto específico que gostariam de que tratássemos e/ou alguma informação para nos apresentar. Por favor, enviem suas sugestões para malanger04@yahoo.es
Abraços a todos e ate o próximo.
Marcelo Langer, Professor de Engenharia Ambiental da UNISEP, Mestre em Ciências Florestais pela USP, especialista em Gestão do Conhecimento pela FIA/USP e em Sustentabilidade pela Universidade de Freiburg da Alemanha.
Matérias publicadas em jornais
Pessoal, como falei estive ausente do Blog, mas estive desenvolvendo matérias para jornais do interior do Paraná.
Assim vou publicá-los agora aqui neste espaço.
Muitas destas matérias foram elaboradas por meus alunos do curso de Engenharia Ambiental, e a mim coube a revisão final de todo o conteúdo.
Espero que vocês aproveitem.
E aos docentes de todas as partes, posso dizer que esta foi uma excelente ferramenta pedagógica, que permitiu que nos jovens se expressassem de forma brilhante. Lembrando que para muitos deles, a grande maioria, esta foi a primeira vez que o fizeram, e por isso, estes materiais tem muito mérito, valor e louvor.
Infelizmente a instituição a qual servi não soube e não sabe valorizá-los, aproveitar suas idéias e desenvolver seus potenciais. Continua insistindo em um método didático condenado e que não agrega valor na formação do ser humano.
Assim, espero de coração que vocês olhem o feito e não os seus pequenos defeitos.
Abraços a todos.
Assim vou publicá-los agora aqui neste espaço.
Muitas destas matérias foram elaboradas por meus alunos do curso de Engenharia Ambiental, e a mim coube a revisão final de todo o conteúdo.
Espero que vocês aproveitem.
E aos docentes de todas as partes, posso dizer que esta foi uma excelente ferramenta pedagógica, que permitiu que nos jovens se expressassem de forma brilhante. Lembrando que para muitos deles, a grande maioria, esta foi a primeira vez que o fizeram, e por isso, estes materiais tem muito mérito, valor e louvor.
Infelizmente a instituição a qual servi não soube e não sabe valorizá-los, aproveitar suas idéias e desenvolver seus potenciais. Continua insistindo em um método didático condenado e que não agrega valor na formação do ser humano.
Assim, espero de coração que vocês olhem o feito e não os seus pequenos defeitos.
Abraços a todos.
A Terra já passou do prazo 06/12/2009
Esta matéria foi publicada no Jornal Tribuna dos Lagos de Dois Vizinhos, Paraná.
Neste dia 07 de dezembro inicia-se em Copenhagen, Dinamarca a 15ª. Conferencia Mundial sobre Mudanças Climnáticas. Esta é uma reunião promovida pela ONU (Organização da Nações Unidas) em parceria com outros órgãos internacionais, que tem como obejtivo reverter o atual estágio de alterações climáticas do Planeta.
Para um esclarecimento sobre o assunto, bem como sobre as reais causas destas mudanças climáticas e este aquecimento global o professor Marcelo Langer do curso de Engenharia Ambiental da Unisep e Consultor do Banco Mundial para a área de sustentabilidade, concedeu entrevista exclusiva ao Jornal Tribuna dos Lagos. Ele é formado em Engenharia Florestal na Universidade Federal do Paraná (1995), fez mestrado na Universidade de São Paulo (USP) e MBA na Escola de Economia da USP e a partir de 94, fez especialização na Alemanha, Espanha e Inglaterra, onde esteve vivendo e trabalhando com o Meio Ambiente nos últimos seis anos no exterior, antes de transferir-se para Dois Vizinhos.
Tribuna - Muito se houve falar de que a Terra está esquentando e daqui a 50 anos ninguém mais resistirá ao calor. Mas se a Terra está aquecendo, evidente que irá provocar também o fenômeno do degelo, que inevitavelmente resultará em um desequilíbrio climático total no planeta. Quer dizer, quem conseguir resistir às altas temperaturas poderá não suportar as baixas que virão com o degelo. Na sua visão, qual a verdade sobre as mudanças climáticas e o aquecimento global?
Langer- Cerca de 35% da radiação que recebemos do sol é refletida de novo para o espaço, ficando os outros 65% retidos na Terra. A emissão de gases poluentes está tornando a atmosfera muito mais densa e afetando também as concentrações do Ozônio. E isto faz com que o calor aqui gerado não se dissipe causando então mudanças climáticas como o aquecimento do planeta e ainda que previsível o que poderá acontecer num futuro próxima, as suas incertezas são muitas.
Tribuna- E o efeito estufa, o que é ?
Langer- É o que permite que a Terra seja habitada. O Efeito Estufa faz com que a Terra mantenha sua temperatura constante, próxima a 15ºC. Se não houvesse o efeito estufa sobre a Terra, a temperatura do planeta poderia chegar a 33ºC negativos e não haveria condições de existir vida no Planeta. Graças a ele então é que o ser humano se estabeleceu e sobreviveu aqui no Planeta.
Tribuna – Seriam tão somente os gases os vilões destas mudanças climáticas?
Langer- É uma soma de tudo. Estamos tratando de um meio ambiente que é um organismo vivo. Por exemplo, se você desmata, degrada a água e polui os rios, entupindo bueiros e rios urbanos, as consequências destes atos são realmente catastróficas, por exemplo a recente enchente que atingiu Pato Branco. Isso ocorreu pois os bueiros estavam entupidos com os lixos que a população está jogando nos quintais e ruas de suas casas e cidades. Então esta degradação ao Meio Ambiente, com o aumento das concentrações dos Gases do Efeito Estufa (GEE), na realidade, alteram todo o tipo de equilíbrio termostático do planeta e assim causam o descontrole climático do planeta.
Tribuna- E essa atitude do Obama de prorrogar para mais dois anos o cumprimento das metas de redução pelos Estados Unidos dos gases poluentes?
Langer- Os EUA pediram mais dois anos para o atendimento às metas de redução das emissões dos GEE na atmosfera, é devida ao fato de que os cientistas da Casa Branca não concordam com a teoria que o aumento de concentração de gases na atmosfera e o aumento da temperatura está levando a um aquecimento global. Eles concordam que o aumento das concentrações dos GEE na atmosfera esta definindo as mudanças climáticas, mas diferente de outros pesquisadores e cientistas que fazem parte do Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas (IPCC), estes estudiosos da Casa Branca, acreditam que estas mudanças possam vir a estabelecer uma, talvez, nova era glacial, ou seja o congelamento da terra como já aconteceu no passado. Isso acarretaria em uma catástrofe ainda maior como o congelamento de todos os oceanos e a superfície da Terra. Poucas áreas vão se manter com temperatura suficiente para manter a continuidade da vida no Planeta. Alguns cientistas negam, portanto, que esteja existindo um aquecimento global, mas que já estamos vivendo o início de uma nova era glacial e que isso já faz parte do processo de existência do planeta.
Tribuna- Qual sua posição sobre essa previsão catastrófica de que já em meio século o aquecimento global irá provocar a mortandade geral de seres vivos que não suportarão as altas temperaturas?
Langer- A bem da verdade, em questões ambientais é difícil estabelecer certezas sobre o vai acontecer. Não temos como prever qual será o resultado de tudo isso. Sabe-se, no entanto, que vai haver um desequilíbrio geral e um dano geral e afetar sem duvida alguma o modo que vivemos e a maneira que desenvolvemos a economia mundial. Sabe-se, por exemplo, que o nível do mar, em algumas partes do Planeta está se elevando, que o ciclo das culturas agrícolas esta se alterando e a elevação de temperatura está causando o derretimento de todas as geleiras e este ultimo fator pode causar um resfriamento global total. Sobre isso não podemos esquecer que na constituição da terra, 2/3 são água.
Tribuna- Irá sobrar gente para morrer congelada. Melhor, que conseguirá sobreviver as altas temperaturas previstas para o Planeta?
Langer - Haverá uma inevitável degradação total do planeta e claro, do ser humano também. Porém, o avanço tecnológico, desenvolvimento de novas tecnologias limpas e a capacidade de adaptação do ser humano, pode garantir algum resultado positivo.
Tribuna- O que a humanidade pode fazer ainda, para mudar o rumo desse futuro ameaçador?
Langer- A Terra já passou do seu prazo. Segundo estudiosos, em 1985 nosso Planeta superou a sua capacidade de sustentabilidade. Isso significa dizer que a velocidade com que estamos conduzindo nossas vidas e nossas atividades produtivas na Terra não está dando tempo dela se auto-regenerar. E não adianta olhar e culpar somente as grandes cidades, porque isso está acontecendo em qualquer parte do Globo, TODAS AS NOSSAS AÇÕES INDIVIDUAIS OU COLETIVAS CONTRIBUEM PARA A DEGRADAÇÃO DO PLANETA. Nesse sentido a Terra já passou do seu limite e agora nós temos que correr atrás do prejuízo. Temos que tomar iniciativas, parcerias individuais, coletivas no sentido de reverter o quadro atual. Dois Vizinhos e seus munícipes teem sua parcela de interferência nessa dinâmica. Então, tem que ser a partir de já, não temos mais como esperar.
Para um esclarecimento mais aprofundado sobre o tema Meio Ambiente, a partir da próxima edição o Jornal Tribuna dos Lagos estará publicando em suas edições, uma coluna do professor Marcelo Langer, onde constarão também trabalhos desenvolvidos por alunos do curso de Engenharia Ambiental da Unisep sobre diversos temas que afetam e contribuem para a destruição do nosso Planeta. Mas também estaremos passando dicas de como podemos melhorar nossas ações e diminuir a velocidade desta contagem regressiva.
Neste dia 07 de dezembro inicia-se em Copenhagen, Dinamarca a 15ª. Conferencia Mundial sobre Mudanças Climnáticas. Esta é uma reunião promovida pela ONU (Organização da Nações Unidas) em parceria com outros órgãos internacionais, que tem como obejtivo reverter o atual estágio de alterações climáticas do Planeta.
Para um esclarecimento sobre o assunto, bem como sobre as reais causas destas mudanças climáticas e este aquecimento global o professor Marcelo Langer do curso de Engenharia Ambiental da Unisep e Consultor do Banco Mundial para a área de sustentabilidade, concedeu entrevista exclusiva ao Jornal Tribuna dos Lagos. Ele é formado em Engenharia Florestal na Universidade Federal do Paraná (1995), fez mestrado na Universidade de São Paulo (USP) e MBA na Escola de Economia da USP e a partir de 94, fez especialização na Alemanha, Espanha e Inglaterra, onde esteve vivendo e trabalhando com o Meio Ambiente nos últimos seis anos no exterior, antes de transferir-se para Dois Vizinhos.
Tribuna - Muito se houve falar de que a Terra está esquentando e daqui a 50 anos ninguém mais resistirá ao calor. Mas se a Terra está aquecendo, evidente que irá provocar também o fenômeno do degelo, que inevitavelmente resultará em um desequilíbrio climático total no planeta. Quer dizer, quem conseguir resistir às altas temperaturas poderá não suportar as baixas que virão com o degelo. Na sua visão, qual a verdade sobre as mudanças climáticas e o aquecimento global?
Langer- Cerca de 35% da radiação que recebemos do sol é refletida de novo para o espaço, ficando os outros 65% retidos na Terra. A emissão de gases poluentes está tornando a atmosfera muito mais densa e afetando também as concentrações do Ozônio. E isto faz com que o calor aqui gerado não se dissipe causando então mudanças climáticas como o aquecimento do planeta e ainda que previsível o que poderá acontecer num futuro próxima, as suas incertezas são muitas.
Tribuna- E o efeito estufa, o que é ?
Langer- É o que permite que a Terra seja habitada. O Efeito Estufa faz com que a Terra mantenha sua temperatura constante, próxima a 15ºC. Se não houvesse o efeito estufa sobre a Terra, a temperatura do planeta poderia chegar a 33ºC negativos e não haveria condições de existir vida no Planeta. Graças a ele então é que o ser humano se estabeleceu e sobreviveu aqui no Planeta.
Tribuna – Seriam tão somente os gases os vilões destas mudanças climáticas?
Langer- É uma soma de tudo. Estamos tratando de um meio ambiente que é um organismo vivo. Por exemplo, se você desmata, degrada a água e polui os rios, entupindo bueiros e rios urbanos, as consequências destes atos são realmente catastróficas, por exemplo a recente enchente que atingiu Pato Branco. Isso ocorreu pois os bueiros estavam entupidos com os lixos que a população está jogando nos quintais e ruas de suas casas e cidades. Então esta degradação ao Meio Ambiente, com o aumento das concentrações dos Gases do Efeito Estufa (GEE), na realidade, alteram todo o tipo de equilíbrio termostático do planeta e assim causam o descontrole climático do planeta.
Tribuna- E essa atitude do Obama de prorrogar para mais dois anos o cumprimento das metas de redução pelos Estados Unidos dos gases poluentes?
Langer- Os EUA pediram mais dois anos para o atendimento às metas de redução das emissões dos GEE na atmosfera, é devida ao fato de que os cientistas da Casa Branca não concordam com a teoria que o aumento de concentração de gases na atmosfera e o aumento da temperatura está levando a um aquecimento global. Eles concordam que o aumento das concentrações dos GEE na atmosfera esta definindo as mudanças climáticas, mas diferente de outros pesquisadores e cientistas que fazem parte do Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas (IPCC), estes estudiosos da Casa Branca, acreditam que estas mudanças possam vir a estabelecer uma, talvez, nova era glacial, ou seja o congelamento da terra como já aconteceu no passado. Isso acarretaria em uma catástrofe ainda maior como o congelamento de todos os oceanos e a superfície da Terra. Poucas áreas vão se manter com temperatura suficiente para manter a continuidade da vida no Planeta. Alguns cientistas negam, portanto, que esteja existindo um aquecimento global, mas que já estamos vivendo o início de uma nova era glacial e que isso já faz parte do processo de existência do planeta.
Tribuna- Qual sua posição sobre essa previsão catastrófica de que já em meio século o aquecimento global irá provocar a mortandade geral de seres vivos que não suportarão as altas temperaturas?
Langer- A bem da verdade, em questões ambientais é difícil estabelecer certezas sobre o vai acontecer. Não temos como prever qual será o resultado de tudo isso. Sabe-se, no entanto, que vai haver um desequilíbrio geral e um dano geral e afetar sem duvida alguma o modo que vivemos e a maneira que desenvolvemos a economia mundial. Sabe-se, por exemplo, que o nível do mar, em algumas partes do Planeta está se elevando, que o ciclo das culturas agrícolas esta se alterando e a elevação de temperatura está causando o derretimento de todas as geleiras e este ultimo fator pode causar um resfriamento global total. Sobre isso não podemos esquecer que na constituição da terra, 2/3 são água.
Tribuna- Irá sobrar gente para morrer congelada. Melhor, que conseguirá sobreviver as altas temperaturas previstas para o Planeta?
Langer - Haverá uma inevitável degradação total do planeta e claro, do ser humano também. Porém, o avanço tecnológico, desenvolvimento de novas tecnologias limpas e a capacidade de adaptação do ser humano, pode garantir algum resultado positivo.
Tribuna- O que a humanidade pode fazer ainda, para mudar o rumo desse futuro ameaçador?
Langer- A Terra já passou do seu prazo. Segundo estudiosos, em 1985 nosso Planeta superou a sua capacidade de sustentabilidade. Isso significa dizer que a velocidade com que estamos conduzindo nossas vidas e nossas atividades produtivas na Terra não está dando tempo dela se auto-regenerar. E não adianta olhar e culpar somente as grandes cidades, porque isso está acontecendo em qualquer parte do Globo, TODAS AS NOSSAS AÇÕES INDIVIDUAIS OU COLETIVAS CONTRIBUEM PARA A DEGRADAÇÃO DO PLANETA. Nesse sentido a Terra já passou do seu limite e agora nós temos que correr atrás do prejuízo. Temos que tomar iniciativas, parcerias individuais, coletivas no sentido de reverter o quadro atual. Dois Vizinhos e seus munícipes teem sua parcela de interferência nessa dinâmica. Então, tem que ser a partir de já, não temos mais como esperar.
Para um esclarecimento mais aprofundado sobre o tema Meio Ambiente, a partir da próxima edição o Jornal Tribuna dos Lagos estará publicando em suas edições, uma coluna do professor Marcelo Langer, onde constarão também trabalhos desenvolvidos por alunos do curso de Engenharia Ambiental da Unisep sobre diversos temas que afetam e contribuem para a destruição do nosso Planeta. Mas também estaremos passando dicas de como podemos melhorar nossas ações e diminuir a velocidade desta contagem regressiva.
retomando
Algumas coisas precisam morrer para renascer mais completas e inteiras.
Poucas pessoas se dão tempo para este processo de morte e vida diária... Enfim aqui estou eu novamente, para retomar este canal de expressão.
Hoje com uma nova situação de vida, diferente de alguns anos atras e ainda mais diferente do que será no futuro.
Muitos insistem em dizer que sabem como vai ser o futuro, sem lembrar da inconsistência e vulnerabilidade da mente humana.
O meio ambiente então, tem expressado suas condições de mudanças completas e intensas, principalmente mediante ao Homem todo poderoso, que insiste em fazer crer, que detem o poder para controla-lo.
Salve, salve tanto falso poder.
Homens, abstenham-se de seus orgulhos mediocres, pratiquem a humildade, a cordialidade, a paz, o amor, a compaixao, o respeito (este a muito abondonado por todos nós). Pois ao final, mesmo com toda a tecnologia que possamos desenvolver, o fim esta seguro e a incerteza continua muito certa de ocorrer.
Àqueles que voltarem comigo, vamos lá.
Ainda há tempo para nós mesmos e para aquela indivisivel e quase imperceptivel gota de amor e vida que habita dentro de nós, florescer e fruticar.
O mundo e as pessoas que o habitam, pelo menos as que encontram-se proximas à nós, fisica e espiritualmente, necessitam de nossas flores e cores e não de nossas armas e dores.
Sejam bemvindos.
Poucas pessoas se dão tempo para este processo de morte e vida diária... Enfim aqui estou eu novamente, para retomar este canal de expressão.
Hoje com uma nova situação de vida, diferente de alguns anos atras e ainda mais diferente do que será no futuro.
Muitos insistem em dizer que sabem como vai ser o futuro, sem lembrar da inconsistência e vulnerabilidade da mente humana.
O meio ambiente então, tem expressado suas condições de mudanças completas e intensas, principalmente mediante ao Homem todo poderoso, que insiste em fazer crer, que detem o poder para controla-lo.
Salve, salve tanto falso poder.
Homens, abstenham-se de seus orgulhos mediocres, pratiquem a humildade, a cordialidade, a paz, o amor, a compaixao, o respeito (este a muito abondonado por todos nós). Pois ao final, mesmo com toda a tecnologia que possamos desenvolver, o fim esta seguro e a incerteza continua muito certa de ocorrer.
Àqueles que voltarem comigo, vamos lá.
Ainda há tempo para nós mesmos e para aquela indivisivel e quase imperceptivel gota de amor e vida que habita dentro de nós, florescer e fruticar.
O mundo e as pessoas que o habitam, pelo menos as que encontram-se proximas à nós, fisica e espiritualmente, necessitam de nossas flores e cores e não de nossas armas e dores.
Sejam bemvindos.
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